Vários Mundos, Loucura, Realidade e Arte
- Frederico Cavalcanti

- há 1 dia
- 3 min de leitura

Salve, Leitor!
Falaremos de loucura e possibilidades de realidades múltiplas.

Na Física Quântica existe uma interpretação, comumente chamada de Vários Mundos. Neste campo, desponta uma coisa: a “estranheza” - elemento na ficção especulativa diretamente relacionado à essência da fantasia.
Na Física Quântica, coisas “estranhas”, que desafiam ao extremo o pensamento convencional e a linguagem, simplesmente acontecem. Deum efeito sem causa à localização de uma existência material que não tem um local para estar, perpassando a ideia de que o observador – apenas observando – interfere no estado daquela existência quântica.
A interpretação de Vários Mundos seria uma ideia a servir de paradigma para a interpretação de fenômenos, principalmente os “estranhos”, a partir de concepções da física, tanto teórica quanto experimental. Existem outras interpretações no estudo da física; em particular, esta afeta muito o imaginário do ser humano.
De filmes da Marvel, passando pelas histórias em quadrinhos e pela literatura, esbarrando na religião e nas doutrinas espiritualistas da Velha e da Nova Era, firmando-se na ciência.
Mesmo que não se trate, puramente, da mesma acepção de mundo, quando a figura mítica cristã Jesus diz: “meu Reino não é deste mundo”, é patente que o ser humano lida com múltiplas realidades há muito tempo, concebendo formas de existências, de ambientes e seres habitando locais inacessíveis a nós.
Philip K. Dick é considerado um dos inspiradores da história de Matrix e de outras obras como o Homem do Castelo do Alto – livro transformado em série disponível na Netflix.
Em um encontro científico na França, Philip surpreendeu todos com considerações criativas sobre a possibilidade de existirem outras realidades, de um universo de mundos reais ou simulados. Em dado momento, ficou patente que acreditava ter vivido, que havia visitado tais lugares e experimentado, ao menos em parte, as realidades que descrevia.
Aventaram o termo “loucura”. Mas se existe uma interpretação de vários mundos na física quântica, como se poderia menosprezar alguém que traz uma narrativa que corrobora àquela ideia científica? Sendo a ideia uma possibilidade que vai além de um mero mito matemático, pois compõe construtos de física teórica, trazendo um potencial real explicativo à realidade.
E se existirem meios de alcançar outras realidades?
Já foi trazida a seguinte hipótese, em outro ensaio desta coluna: o fato de Tolkien ter podido descrever com tanto detalhe, complexidade em si, o universo de O Senhor dos Anéis, a ponto de ser considerado como criador da primeira peça de realidade virtual já vista.
Ponto: Tolkien não só criou, como estaria se lembrando do que vivera em outra realidade efetivamente existente, em que pese a magia poder ser uma parte de sua fantasia. Poderia ser uma mistura? Mesmo que não tivesse consciência do fato, estaria acessando também lembranças, a partir das quais viria a criar algo.
Então, o que seria loucura senão um passo fora da realidade considerada normal e suscita o cuidado dentro do campo da saúde quando gera sofrimento? Caso queiram pesquisar sob a perspectiva psicológica, comecem por Do Normal e Do Patológico, de Georges Canguilhelm.
Não querendo me prolongar, trago estas provocações:
Se existisse ou existe em algum outro mundo, quem você está sendo?
Caso tenha decidido fazer algo, o que realmente deseja?
De modo seguro, o que poderia improvisar para estar mais próximo da perspectiva deste outro mundo, agora mesmo?
Será que não é importante ao menos tentar fazer coisas e viver o mais próximo possível a pessoas e seres?
Se não sabe o que quer, que tal iniciar uma estrada que lhe permita saber mais a respeito de si?
Permita-se criar seus mundos - ou se lembrar deles. Fantasie.




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