Ícaro, Tântalo e as Penas do Inferno: o simbolismo da punição na fantasia
- Frederico Cavalcanti

- há 3 dias
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Olá, Caro Leitor.
Hoje falaremos de algo intrínseco a qualquer fantasia clássica: a raiz do mal e o local da punição. Em que pese muitos acreditem em uma existência de um tipo de inferno muito particular, para começar pela etimologia temos o inferno como “um lugar inferior”.

O que pode ser o inferno para um, não o é para outro. Contudo, a palavra tende a estar associada com uma ideia de penalidade por faltas cometidas. A concepção de inferno, sobretudo no sentido visual, deve-se à obra de Dante Alighieri: “A Divina Comédia”.
Surge em muitos textos antigos, a ideia de que os tipos de males cometidos em vida, estariam conectados com o tipo de pena em regiões inferiores. Tântalo, rei, filho de Zeus com a ninfa Plota, recebeu a honra de frequentar os banquetes no Olimpo, desfrutando do alimento divino, comendo “Ambrosia” e bebendo “Néctar”.
Eis que na mitologia grega, quanto maior o prestígio dado pelo senhor, maior é a traição que significa desobedecê-lo. Quanto mais altivo o indivíduo, maior sua nêmese, a correção divina e brutal, que reorganiza o mundo, colocando as devidas “coisas”, nos devidos lugares. Como todo Ícaro que voa alto demais, as asas se queimam pela “proximidade” com o sol, proximidade com o que estaria acima do humano, portanto, indevido de ser desfrutado, por um abismo entre as naturezas humana e divina.
Voltando à mitologia, Tântalo, em altivez excessiva, decide levar alimentos divinos proibidos para outros humanos experimentarem e tenta servir a carne do próprio filho aos deuses, como modo de insultá-los e questionar o valor e a grandiosidade da divindade deles. Já Ícaro, por voar alto demais, com asas construídas pelo Pai, Dédalo, mesmo sabendo que não poderia voar fazê-lo, caiu duramente ao chão.
Tântalo, foi posto no fundo do Tártaro, prisão mitológica grega, condenado a viver com fome e com sede, tendo um ramo de maçã que se coloca sobre ele, mas se afasta pelo soprar do vento, toda vez que ele se estende para agarrar a fruta, bem como tendo um jorro de água fresca e límpida, quase ao alcance, mas que se afasta quando Tântalo se põe a tentar extinguir à própria sede.
O tipo de sofrimento guarda evidente conexão com os tipos de ofensas que Tântalo cometeu. O fato de que procurou se satisfazer nos desejos de grandeza, tentando nutrir-se, engrandecer-se, de modo incompatível com o que lhe cabia.

E, visto que toda traição está relacionada com o desejo de crescer e sentir prazer, Tântalo, que se viu em tantas possibilidades de satisfação, cedeu a tantas tentações e ficou incapaz de satisfazer àqueles apetites pelos quais desdenhou e abusou em termos de simplicidade (fruta e água, no mundo humano), quando diante da sofisticação da “Ambrosia” e do “Néctar”, cujos acessos lhe eram permitidos, apesar de proibidos para os demais humanos.
Lord Henry, personagem “amigo” de Dorian Gray, ainda sobre tentações, diz em “O Retrato de Dorian Gray”, obra de Oscar Wilde: “a melhor forma de vencer a uma tentação é cedendo a ela”. Típica frase de um anti-herói, que unifica bem e mal em retórica atraente.
É isto, este modo atraente do qual o mal se reveste, que algumas histórias fantásticas denunciam sob a forma de perigo, com a ideia de: “Cuidado! Todo mal é gerador de efeitos nefastos, pois o olho da justiça divina é proporcional ao horror que as atitudes mal-intencionadas ou desrespeitosas foram capazes de criar.”
O inferno, seus assemelhados, e as penas que os populam buscam conscientizar sobre o papel das escolhas, renúncias e respectivos efeitos.
Se preferir, sobre bem e mal, beleza e dor – o que um indivíduo deve fazer ou deixar de fazer em vida, desde a primeira grande história conhecida, a sumeriana “Epopéia de Gilgamesh”.
Caro Leitor, como tem se conscientizado, o que tem aprendido a partir das histórias que ouve? Sobre o que gostaria de conscientizar, a si e ao mundo, por meio de sua história de vida, o que observa, reflete e urge em contar?


A raiz do mal? O texto só faz um esboço vazio e tangencia fracamente o tema. Fala de 2 exemplos mitológicos de forma superficial.