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Artistas brasileiros finalistas no Prêmio Nebula

Titi Bayarri











No cenário internacional da literatura de ficção científica, são três as premiações mais reconhecidas: os prêmios Hugo, Locus e Nebula. As três premiações têm seus inícios em diferentes décadas (Hugo na década de 50, Nebula em 60 e Locus em 70) e, além de se proporem a reconhecer as melhores publicações literárias de ficção especulativa, nos últimos anos os prêmios têm aberto espaço para outras mídias, passando a premiar também, por exemplo, poesia, melhor roteiro de jogo, obra audiovisual, entre outras categorias que vêm surgindo.


Apesar de terem sistemas de votação e algumas categorias diferentes entre si, as três premiações possuem uma importante característica em comum: a de receber e avaliar apenas publicações em língua inglesa.


Apesar disso, esse ano o Brasil recebe uma boa surpresa: quatro artistas brasileiros estão indicados como finalistas no prêmio Nebula de 2026, na qual concorrem obras publicadas no ano de 2025, em duas categorias diferentes: Melhor História em Quadrinhos e Melhor Novela


Obras de artistas brasileiros indicadas ao Prêmio Nebula 2025.
Obras de artistas brasileiros indicadas ao Prêmio Nebula 2025.

Na categoria de Melhor História em Quadrinhos, que estreia na premiação esse ano, a HQ Helen de Wyndhorn concorre com outras 7 publicações. Publicada pela Dark Horse Comics no exterior, e com publicação brasileira pela Suma, trata-se de uma obra de fantasia que conta com os brasileiros Bilquis Evely e Matheus Lopes ao lado do estadunidense Tom King. A obra, não faz muito tempo, recebeu 7 indicações no Prêmio Eisner, o maior prêmio norte-americano dedicado aos quadrinhos, ocasião onde a brasileira Bilquis Evely levou o prêmio de Melhor Desenhista/Arte-Finalista.


Já na categoria de Melhor Novela, são duas obras de autoria brasileira indicadas: But not too bold, da escritora argentino-brasileira Hache Pueyo, e Disgraced return of the Kap's Neddle, do carioca Renan Bernardo.


Originalmente publicada em 2022 pela Editora Dame Blanche com o título de Bem mal me quer, a fantasia But not too bold foi recentemente publicada lá fora pela Tor Books, contando com tradução para o inglês feita pela própria autora.


Disgraced return of the Kap's Neddle, de Renan Bernardo, é uma obra de ficção científica que foi escrita primeiramente em inglês, publicada no ano passado pela Dark Matter Ink, mas que já está em processo de tradução para o português pelo próprio autor: a obra será publicada no Brasil em breve, pela Editora Aleph, com título e data de lançamento ainda a serem revelados.


Não é a primeira vez que o autor Renan Bernardo figura entre os finalistas do Nebula: no ano de 2024, seu texto A Short Biography of a Conscious Chair foi indicado na categoria de Melhor Noveleta. Publicado no Brasil de forma gratuita pelo Fantástico Guia, este texto também foi finalista dos prêmios Argos e Ignyte.


É inegável que o acesso de autorias latino-americanas a esse tipo de premiação é dificultado por uma série de fatores, dentre eles, e principalmente, a barreira da língua. Uma vez que só concorrem obras publicadas em inglês, existe um filtro que, além de selecionar que tipo de obras ou autores podem figurar entre o que seria considerado o melhor do que se tem produzido na literatura de ficção especulativa, faz com que uma predominância de obras de autoria anglófona siga tendo a manutenção de seu espaço de publicação e tradução no mercado internacional.


Por isso é tão importante ver autorias brasileiras ocupando esse espaço e tendo suas produções reconhecidas internacionalmente: aqui é onde ocorrem fissuras que atuam diretamente e a seu próprio modo para a visibilidade e o crescimento do mercado literário nacional.

Em entrevista para a Especular, Renan Bernardo conta que identifica dois problemas no mundo da publicação: “Tem um tipo de problema lá fora e um tipo de problema aqui. Aqui o que acontece é que a gente consome muito - e estamos mudando isso para melhor nos últimos anos -, mas a gente consome muita coisa traduzida e muita coisa dos Estados Unidos, da Inglaterra... E a gente desvaloriza muito a produção nacional. Lá fora acaba sendo o contrário: eles consomem eles mesmos o tempo todo, raramente se abrem pro mundo externo. (...) Eles não leem a gente, não consomem a gente… Também tem melhorado nos últimos anos, mas ainda é muito fechado”.


“Então eu vejo essa indicação como positiva nesses dois sentidos: eu acho que vai fazer o pessoal daqui valorizar mais a literatura nacional e vai fazer o pessoal lá de fora enxergar melhor outros pontos de vista que não são os deles próprios.”

Renan conta, ainda, que a indicação o deixou tão feliz quanto surpreso. O brasileiro, que começou a experimentar escrever em inglês no ano de 2015 e teve sua primeira publicação internacional em 2020, deixa sua dica para escritores brasileiros que queiram também publicar seus textos no exterior: ter consistência na escrita e não parar. “Porque eu acho que se você não para, se você continua fazendo aquilo, se você consegue criar uma rotina ali, dia após dia, o negócio vai se tornando uma bola de neve e você vai sentindo que você vai melhorando (...). Embora seja meio clichê, a mensagem principal é essa, não desistir”. Ele indica, também, conhecer o trabalho do Fantástico Guia, gerenciado pelos escritores Jana Bianchi e Diogo Ramos, com diversos cursos voltados à publicação em inglês.


Agora nos resta, além de vibrar pelo reconhecimento da literatura de ficção especulativa construída por mãos brasileiras, torcer pelos finalistas. A cerimônia de premiação do Nebula ocorrerá no dia 6 de julho, em Chicago, nos EUA.





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