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Livros Proibidos

Pedro Schettino











Olá, queridos leitores. Hoje estamos mais uma vez reunidos em torno de um tema muito interessante nas histórias de fantasia, mas com ecos muito presentes também no mundo real: O Livro Proibido. Imagine um tomo muito antigo, fechado por séculos, coberto de poeira, a esconder segredos obscuros e conhecimentos há muito perdidos. Mergulhemos profundamente em várias questões acerca dessas sabedorias vetadas, seus desdobramentos e aparições na história literária.


Este tema é secular e pode ser lido em textos arcaicos, como o Gênesis. Deixando de lado o debate teológico, a narrativa de Adão e Eva gira em torno da ideia do conhecimento oculto, sedutor e proibido. A astuta serpente convence o que seria o primeiro casal da nossa espécie a comer o fruto proibido que lhe traria um conhecimento semelhante ao de Deus, sua divindade absoluta. Eis aqui o princípio de nosso debate hoje: o conhecimento é extremamente sedutor, ainda mais quando proibido.


E este tipo de história muito se beneficia da própria materialidade do livro, deste pacto velado entre autor e leitor, da ideia de leitura individual e silenciosa, características centrais para o estabelecimento do livro com um artefato sublime. A capacidade de conter, entre suas páginas, o sagrado e o profano, o sombrio e o iluminado, o lícito e o proibido.

Sabemos que, durante quatro séculos (mais precisamente entre 1560 e 1966), a igreja de Roma manteve uma lista de livros proibidos, o famoso Index librorum prohibitorum, conhecimentos vistos como problemáticos ou perigosos para o homem comum.


Baseado nesta prática de proibição, o autor Umberto Eco escreveu sua famosa obra O Nome da Rosa. Na história, um monastério medieval na Itália possui um tomo antigo contendo um texto perdido da obra de Aristóteles. Temendo que este conhecimento “contamine” a mente dos monges, o abade coloca veneno nas páginas do livro, levando a morte todos que o leem. A curiosidade é tentadora e o fato de ser literatura proibida torna-o ainda mais sedutor.


Outra boa narrativa sobre conhecimentos vetados – e talvez a mais emblemática – trata-se do Necronomicon, do autor H.P. Lovecraft. Este livro fictício seria uma grande compilação de todos os conhecimentos dos grandes deuses antigos, entidades cósmicas muito antigas que vêm os seres humanos como pequenos vermes insignificantes. Tal livro, apesar de não existir, faz parte do universo literário de Lovecraft ao ponto de termos descrições sobre seu autor, quantas cópias dele existem no mundo, quais foram as traduções realizadas etc.


A representação literária da corrupção pelo conhecimento proibido é justamente a base da loucura: um livro tão antigo e perigoso que sua simples leitura arruína a mente de seu leitor. Os ecos da tentação e da curiosidade podem ser claramente vistos neste livro.


Com base nessas experiências literárias, podemos compreender que o livro proibido é uma metáfora do próprio desejo humano de ultrapassar limites, de desafiar a ordem, de ousar ir além das fronteiras estabelecidas. É uma transgressão necessária à ordem vigente, um ponto crucial para o desenvolvimento de nossa espécie. Em decorrência, compreendemos a leitura como um ato de transformação, lemos para adquirir novos conhecimentos, novas visões, novas experiências.


Então, ouse, firme o pacto, viole as barreiras, atravesse o portal. Todo leitor é, de alguma forma, um transgressor e todo o livro carrega consigo algo proibido. 

2 comentários


fred.totalrama
06 de abr.

Acredito que devem ser harmonizadas as concepções todas, de algum modo, na tentativa, no viver. A normatividade buscar aprisionar, e tem sido muito mais necessário ousar do que se conformar... É o inconformismo que sustenta a mudança, sem a qual não há boa forma, boa evolução e existência natural.

Não há livro proíbido que não mereça ser aberto e lido em algum momento!

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Capella
30 de mar.

Ótima reflexão sobre o ato de ler e a transgressão. Ler é um ato que afeta o próprio funcionamento de nosso cérebro e ajudou o desenvolvimento do homem ao longo da história da humanidade.

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