A Banalidade do Mal em Como Treinar O Seu Dragão (live-action)
- Luis F. Buzzato

- há 1 dia
- 2 min de leitura

Quando o medo do outro torna-se comum, intrínseco ao cotidiano, qualquer violência contra ele torna-se banal.
Em essência: a teoria de Hanna Arendt, filósofa judia, disserta sobre a raiz do mal. O que gera na humanidade tanto desprezo e descaso pela vida? Arendt começa a fazer esses questionamentos após assistir ao julgamento de Adolf Eichmann, principal responsável pela deportação de judeus aos campos de concentração, quando enxerga para além de uma figura monstruosa, um homem comum.
Arendt provoca a reflexão:
Quando fazer o mal é aceitável, qualquer coletivo pode gerar seres com desprezo à vida.
É nítido que não conseguiremos discutir, leitor, a complexidade do relato “Banalidade do Mal”, mas sugiro sua leitura. Entendendo o pressuposto básico da filósofa de que o mal pode se tornar banal, quando o medo do outro ascende, discutiremos sobre a figura do dragão, na adaptação live-action de “Como Treinar o Seu Dragão”.
Na sociedade de Berk, os vikings são treinados a matar dragões, combatê-los e temê-los. Todo o ciclo da vida civil é colocado na lógica de aprender a matar um dragão como se fosse uma habilitação de um carro. Entretanto, é Soluço (Hiccup, em inglês) que decide quebrar a banalidade da matança: por que matar o outro? por que dizimar essa vida?
Então, o ato de misericórdia do protagonista com Banguela, o dragão Fúria da Noite, coloca em uma compreensão de ambos os lados sobre a vida: a criatura entende a bondade inerente a cada ser humano e garoto semeia um amor impossibilitado – e quase proibido – pela criatura.
Dessa forma, a banalidade de matar a criatura ou do dragão queimá-lo logo na primeira possibilidade é desfeita. Essa violência, desenfreada e semeada por ignorância, faz com que toda uma sociedade se questione: em que ponto banalizamos a morte do outro? Em que ponto chegamos para pensar que uma machadada na cabeça é mais útil que a compreensão da existência da vítima?
Soluço e Banguela parecem ter achado uma alternativa necessária para além da tela. Não tornar comum que a vida do outro seja tão perecível, o outro seja quem e como for.
É assim que homem comuns conseguem se tornar assassinos de massas, do “dia para a noite”.
Referências:
Diniz, Souki Nádia, A Banalidade do Mal em Hanna Arendt, 1979, UFMG; https://repositorio.ufmg.br/items/5913ec28-0484-4cb1-a1b6-9eaa8d5b0aef





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