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A Ninfa Eco e A Moça Tecelã

há 13 horas
2 min de leitura









Eco e Narciso, pintura de John William Waterhouse (1903)
Eco e Narciso, pintura de John William Waterhouse (1903)

Hoje, retoma-se uma escritora que já debatida nas colunas anteriores: Marina Colassanti. Como se sabe, Colassanti escreve contos de fada como ninguém, retomando a essência dos clássicos, mas colocando essas imagens em movimento. Nesta coluna, colocamos o foco na Moça Tecelã, personagem descrita na narrativa como uma tecelã que pode criar de um dia ensolarado a palácios inteiros com seus fios.


Em contrapartida, volta-se ao lançamento recente de PRISCILLA, cantora e vocalista pop, com seu álbum ECO. Em seu álbum, a cantora fala sobre sua relação com a voz: tessituras densas e complexas de composição, jogos vocais típicos do R&B e Soul. Para além da excelência musical, chamo atenção para o nome do álbum e um de seus versos:



Você me ouve, mas não é capaz de dizer de onde eu venho

(Só respirar)

O vento me leva pra onde ele quiser

(Posso respirar)

E eu chego aonde ninguém consegue chegar

(Só respirar)

Eu sou a voz e esse é o meu eco


Respirar (PRISCILLA, 2026)

 


Em sua letra, o eu lírico da canção diz que é a voz, ecoando por todo lugar, chegando por todo canto, ainda que ninguém a veja. Não é a primeira vez que Priscilla faz alusão à mitologia grega, somente retornarmos ao seu álbum anterior, no qual se inspirou em Vênus para produzir a capa. Aqui, a cantora faz alusão a ninfa Eco, amaldiçoada por Hera a falar sempre a última palavra dita por alguém como castigo por sua traição a ela. Com o tempo, Eco se esconde em rochedos; perde seu corpo e resta sua voz, sempre a repetir o que outro acabou de dizer.


Em todas essas narrativas, a Tecelã e Eco (seja o de Priscilla ou o mito) falam sobre retomar sua própria voz, ainda que na situação estejam amaldiçoadas por outros. No caso da Tecelã, sua própria criação a obriga tecer sem parar e em Eco é amaldiçoada por ajudar suas irmãs a fugirem da ira de Hera. Inspirada, Priscilla diz que sua voz é sua e que ecoa sem parar tal qual Colassanti usa a Tecelã para dizer: vou continuar tecendo mundos e mundos e farei isso por mim mesma.


REFERÊNCIAS:

COLASSANTI, Marina. A Moça Tecelã, Doze Reis E Uma Moça No Labirinto do Vento, Global Editora, Rio de Janeiro, 2000.

PRISCILLA. ECO, 2026.


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