A Ninfa Eco e A Moça Tecelã


Hoje, retoma-se uma escritora que já debatida nas colunas anteriores: Marina Colassanti. Como se sabe, Colassanti escreve contos de fada como ninguém, retomando a essência dos clássicos, mas colocando essas imagens em movimento. Nesta coluna, colocamos o foco na Moça Tecelã, personagem descrita na narrativa como uma tecelã que pode criar de um dia ensolarado a palácios inteiros com seus fios.
Em contrapartida, volta-se ao lançamento recente de PRISCILLA, cantora e vocalista pop, com seu álbum ECO. Em seu álbum, a cantora fala sobre sua relação com a voz: tessituras densas e complexas de composição, jogos vocais típicos do R&B e Soul. Para além da excelência musical, chamo atenção para o nome do álbum e um de seus versos:

Você me ouve, mas não é capaz de dizer de onde eu venho
(Só respirar)
O vento me leva pra onde ele quiser
(Posso respirar)
E eu chego aonde ninguém consegue chegar
(Só respirar)
Eu sou a voz e esse é o meu eco
Respirar (PRISCILLA, 2026)
Em sua letra, o eu lírico da canção diz que é a voz, ecoando por todo lugar, chegando por todo canto, ainda que ninguém a veja. Não é a primeira vez que Priscilla faz alusão à mitologia grega, somente retornarmos ao seu álbum anterior, no qual se inspirou em Vênus para produzir a capa. Aqui, a cantora faz alusão a ninfa Eco, amaldiçoada por Hera a falar sempre a última palavra dita por alguém como castigo por sua traição a ela. Com o tempo, Eco se esconde em rochedos; perde seu corpo e resta sua voz, sempre a repetir o que outro acabou de dizer.
Em todas essas narrativas, a Tecelã e Eco (seja o de Priscilla ou o mito) falam sobre retomar sua própria voz, ainda que na situação estejam amaldiçoadas por outros. No caso da Tecelã, sua própria criação a obriga tecer sem parar e em Eco é amaldiçoada por ajudar suas irmãs a fugirem da ira de Hera. Inspirada, Priscilla diz que sua voz é sua e que ecoa sem parar tal qual Colassanti usa a Tecelã para dizer: vou continuar tecendo mundos e mundos e farei isso por mim mesma.
REFERÊNCIAS:
COLASSANTI, Marina. A Moça Tecelã, Doze Reis E Uma Moça No Labirinto do Vento, Global Editora, Rio de Janeiro, 2000.
PRISCILLA. ECO, 2026.



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