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O que há no alto da torre?

há 13 horas
3 min de leitura









Olá, queridos e queridas. Novamente estamos aqui reunidos para debater um tema central da fantasia, mais um lugar onde se operam maravilhas. Nossas conversas já nos levaram para florestas, mares, livros proibidos, pactos ocultos e agora chega a vez de um novo lugar central para a fantasia: A TORRE.


Torre de Babel, por Pieter Bruegel
Torre de Babel, por Pieter Bruegel

 Desde tempos imemoriais este edifício tem sido central para as narrativas. Lembremos, por exemplo, da tão famosa história da torre de Babel, que nos conta sobre como surgiram tantas línguas diferentes na terra. A própria forma como a torre se edifica anuncia o propósito narrativo que tem na trama bíblica, o aspecto altaneiro e “em direção aos céus” dela já nos diz muito sobre seu símbolo. Em Babel, a torre foi insígnia de arrogância, de hybris se quisermos usar o termo grego, um momento no qual a humanidade quis alcançar o divino e foi punida por isso. Porém, nesta história já vemos uma importante característica da torre: ela foi pensada para conectar a terra ao céu.

 

No imaginário fantástico ocidental, geralmente vemos os magos como seres místicos bastante ligados aos astros e ao estudo do céu, esta conexão astral também está bem ancorada na ideia da torre. Um lugar onde o sábio mago pode ficar recluso, observando as estrelas e ouvindo os sussurros do divino. O lugar que se projeta ao céu, mas ainda mantém raízes na terra. 


Outro aspecto fundamental desse edifício é a vigilância, ponto que a literatura tolkieniana mostra com facilidade. A torre branca de Minas Tirith foi projetada para funcionar como uma vigia constante à terra de Mordor, uma espécie de última luz forte contra a sombra que tenta se projetar ao mundo livre. Paralelamente, na terra de Mordor, temos a Barad-Dûr encimada pelo olho de Sauron, a vigiar atentamente as movimentações dos povos livres e procurar de forma incansável o Um Anel. Dois monumentos antagônicos que nos remetem a histórias mais antigas que o tempo. Esta construção é tão importante que o segundo livro da saga O Senhor dos Anéis chama-se Duas Torres, não é mesmo?

 

Podemos falar ainda da torre enquanto “guardiã de segredos”. Para tal, vamos chamar um velho conhecido nosso aqui de minhas colunas: George Martin. No mundo fantástico das Crônicas de Gelo e Fogo, o centro do conhecimento em Westeros fica numa cidade chamada “Vilhavelha”, nesta cidade há uma confraria de grandes sábios e intelectuais, os meistres, que tem como base a enorme torre da cidade. Torralta, como é chamada nos livros (ou Hightower, que alguns reconhecerão da série House of the Dragon da HBO) é o lugar onde concentra-se todo o conhecimento deste continente e, ao mesmo tempo, é o edifício que dá nome a família nobre que governa a cidade. Mais uma vez, a torre como símbolo de poder e sabedoria.

 

Muitas outras coisas ainda podem ser ditas sobre a simbologia da torre. Por exemplo na saga A Torre Negra de Stephen King, onde este edifício místico é peça fundamental para a compreensão do universo. Ou ainda no tarot onde a torre é um dos arcanos maiores com mais riqueza simbólica. Contudo, por enquanto, vamos ficar nessas obras expostas que, penso eu, serem muito úteis para iniciar o pensamento simbólico.

 

Portanto, espero que na próxima vez em que ler um livro, assistir um filme, jogar um jogo ou admirar uma pintura em que uma torre apareça proeminente, você esteja instigado a pensar sobre sua simbologia. Projetar nossa consciência aos céus, na tentativa de capturar fagulhas do divino é um excesso que, naturalmente, estamos inclinados a cometer. A subida sempre vale a pena, nem que seja para admirarmos a bela paisagem lá do alto.










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